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Você sabe o que são títulos verdes?

Publicado em 01 de outubro de 2018

Se uma empresa está precisando de um grande volume de dinheiro, para algum novo investimento, uma nova obra ou grande projeto, ela pode consegui-lo a partir de algumas formas: vender uma parte da própria empresa; pedir emprestado para uma instituição financeira; ou pedir emprestado para um monte de investidores. A esta última opção chama-se “título de dívida corporativa” ou debênture. No inglês, bond.

Há mais ou menos 5 anos, empresas começaram a pegar o conceito de um bond e vincular essa emissão a um uso que comprovadamente demonstrasse um benefício ambiental. Uma nova fazenda eólica, a instalação de filtros para diminuição de gases poluentes, um novo sistema de reuso de água: todos esses são projetos financiáveis com claro benefício ambiental. A estes títulos com essa característica ambiental exacerbada deu-se o nome de green bond, ou títulos verdes.

Desde a primeira emissão, o crescimento da emissão dos títulos verdes no mundo é impressionante. Só no ano passado, mais de USD 150 bilhões foram emitidos em títulos verdes – número que praticamente dobrou o valor do ano anterior, que já havia dobrado o do outro ano. E, de acordo com a Climate Bonds Initiative, devemos fechar o ano de 2018 com USD 250 bilhões emitidos.

A explosão impressionante dessa modalidade de investimento obviamente atraiu a atenção de empresas e investidores. As primeiras, interessadas em vincular suas ações ambientais a seus novos investimentos – principalmente visando alcançar novas carteiras. Já os segundos, por conta da velha correlação entre boa gestão socioambiental e boa gestão da empresa como um todo – índices como o DJSI e o ISE já demonstraram como empresas com boa gestão em sustentabilidade tem melhor governança e gestão de seus riscos e, assim, tendem a ter melhores resultados – o que impacta em seu valor de mercado.

Tanto foi o sucesso que outros bonds começaram a ser aventado ao longo desse pouco tempo. Há cerca de 2 anos, os primeiros títulos sociais (social bonds) começaram a ser emitidos – agora, vinculando os investimentos a benefícios sociais palpáveis para populações vulneráveis. No ano passado, saíram os primeiros títulos sustentáveis (sustainable bonds), em que tanto os benefícios ambientais como sociais eram verificados. E, também no ano passado, logo vieram os títulos dos ODS (SDG bonds), vinculando os investimentos ao cumprimento das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

É um mercado novo e, claro, não isento de falhas. Nessa sua breve existência, algumas críticas já foram levantas quanto ao uso dos recursos, à comprovação que os mesmos estão sendo bem direcionadas e até questões de cunho mais ideológico. Enfrentando tais críticas e se aperfeiçoando, contudo, os títulos verdes (e sociais, sustentáveis, de ODS) tem grande potencial de direcionar o capital corporativo a ações de comprovado benefício socioambiental. Dá-se, assim, um passo a mais a um desenvolvimento mais sustentável dentro das condições de nosso sistema.

 

Fonte: Autos Sustentavel